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terça-feira, 7 de setembro de 2010

A crucificação e morte de Jesus

"Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo:
- Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!
De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam:
- Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.
E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.
Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra.
Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo:
- Eli, Eli, lamá sabactâni?
O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?"

(Mateus 27: 39-46)

No texto que acabamos de ler podemos verificar as blasfêmias e o escárnio proferidos contra Jesus momentos antes da sua morte. Ao fim, em um aparente momento de fraqueza humana, Jesus clama a Deus perguntando o porque da sua falta de amparo...

Essa frase tem causado muita dúvida por entre aqueles que crêem que Jesus é o Senhor. O Filho, que compõe o Deus triuno com o Pai e o Espírito Santo. Tentarei, a seguir, expor minha visão sobre o assunto.

1) O pecado do homem e o seu preço

Isaías 43: 7 nos mostra a intenção de Deus ao criar o homem: "Trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da Terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória, e os que formei e fiz". Deus criou os homem para que através da criatura o criador fosse glorificado. No entanto, desde a queda no Édem, o homem se encontra destituído da glória de Deus e carece dela, conforme nos diz Romanos 3: 23: "pois todos pecaram e carecem da glória de Deus".

No Jardim do Édem Adão comeu da árvore do conhecimento. Porém, antes mesmo de comer do fruto, o seguinte esclarecimento Deus já tinha concedido a Adão: "No dia em que dela [da árvore do conhecimento do bem e do mal] comeres, certamente morrerás".
Paulo reforça a idéia em Romanos 6: 23: "porque o salário do pecado é a morte".

2) O plano de salvação
No Jardim do Édem vemos Deus procurando por Adão após a sua queda. Deus chama por Adão e sacrifica um animal para que o homem pudesse se vestir com a sua pele. Desde aquele momento percebemos que era necessário sangue e morte para a remissão de pecados. A pele, porém, apenas ocultava a vergonha de Adão.
Era necessário, portanto, um sacrifício definitivo. O sacrifício de um homem sem pecados, que pagasse o preço de morrer e tomasse sobre si as dívidas de toda a humanidade.

3) Jesus e o plano levado a cabo
Jesus, sendo Deus, veio a terra através de uma virgem para que, sem pecados, morresse.

Chegamos, então a cena relatada no início da postagem. Não teria Jesus jogado todo o plano do Pai por água abaixo ao questionar a presença de Deus e choramingar o seu desamparo?

Um professor meu de Interpretação Bíblica sempre diz: "Um texto fora do contexto é um pretexto para uma heresia". Nesse caso, especificamente, não ousarei fazer uma exegese das palavras de Jesus. Me limitarei a traçar um panorama do momento mais importante da história da humanidade...

Para tanto, vou me utilizar de uma breve descrição que John Piper faz para descrever o Filho de Deus.



Agora imagine esse ser supremo que, "subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz". (Filipenses 2: 6-8)

Jesus teve de tomar do vinho da cólera de Deus, do cálice de sua ira suprema. Deus pune ao seu próprio Santo Filho pela transgressão de terceiros, que deveriam justamente sofrer sua pena.

4) O pecado imperdoável

Depois de tudo isso, tendo Jesus ressuscitado ao terceiro dia e tomado em suas mãos as chaves da morte e do inferno, é nossa obrigação como remidos do pecado reconhecer que Jesus é o nosso Salvador.

Uma vez ouvi um renomado pastor americano afirmar com ousadia: "Ninguém será condenado pelos seus próprios pecados. Esses foram levados por Jesus na cruz do calvário. Pessoas serão condenadas por não reconhecer que alguém já pagou sua dívida".

Assim, esse é o tão discutido pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo. No início do texto lemos:
"Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo:
- Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!"

O trecho "se és Filho de Deus" expressa com clareza que aquelas pessoas negavam que "o Verbo era Deus". Não reconheciam as palavras de Deus, que dizia: "Este é o meu filho amado, em que me comprazo" logo após o Espírito descer sobre Jesus em forma de pomba.

Portanto, irmãos, basta acreditarmos que Jesus é o Messias, o Ungido de Deus, e que ele nos salvou, pagando o preço pelos nossos pecados na cruz. Esse reconhecimento é suficiente para que sejamos salvos. O pagamento pelos nossos pecados já foi feito.

Segue então o complemento de Romanos 6: 23:

"Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna;
porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor".

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