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terça-feira, 7 de setembro de 2010

A crucificação e morte de Jesus

"Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo:
- Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!
De igual modo, os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam:
- Salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se, de fato, lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.
E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele.
Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra.
Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo:
- Eli, Eli, lamá sabactâni?
O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?"

(Mateus 27: 39-46)

No texto que acabamos de ler podemos verificar as blasfêmias e o escárnio proferidos contra Jesus momentos antes da sua morte. Ao fim, em um aparente momento de fraqueza humana, Jesus clama a Deus perguntando o porque da sua falta de amparo...

Essa frase tem causado muita dúvida por entre aqueles que crêem que Jesus é o Senhor. O Filho, que compõe o Deus triuno com o Pai e o Espírito Santo. Tentarei, a seguir, expor minha visão sobre o assunto.

1) O pecado do homem e o seu preço

Isaías 43: 7 nos mostra a intenção de Deus ao criar o homem: "Trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da Terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória, e os que formei e fiz". Deus criou os homem para que através da criatura o criador fosse glorificado. No entanto, desde a queda no Édem, o homem se encontra destituído da glória de Deus e carece dela, conforme nos diz Romanos 3: 23: "pois todos pecaram e carecem da glória de Deus".

No Jardim do Édem Adão comeu da árvore do conhecimento. Porém, antes mesmo de comer do fruto, o seguinte esclarecimento Deus já tinha concedido a Adão: "No dia em que dela [da árvore do conhecimento do bem e do mal] comeres, certamente morrerás".
Paulo reforça a idéia em Romanos 6: 23: "porque o salário do pecado é a morte".

2) O plano de salvação
No Jardim do Édem vemos Deus procurando por Adão após a sua queda. Deus chama por Adão e sacrifica um animal para que o homem pudesse se vestir com a sua pele. Desde aquele momento percebemos que era necessário sangue e morte para a remissão de pecados. A pele, porém, apenas ocultava a vergonha de Adão.
Era necessário, portanto, um sacrifício definitivo. O sacrifício de um homem sem pecados, que pagasse o preço de morrer e tomasse sobre si as dívidas de toda a humanidade.

3) Jesus e o plano levado a cabo
Jesus, sendo Deus, veio a terra através de uma virgem para que, sem pecados, morresse.

Chegamos, então a cena relatada no início da postagem. Não teria Jesus jogado todo o plano do Pai por água abaixo ao questionar a presença de Deus e choramingar o seu desamparo?

Um professor meu de Interpretação Bíblica sempre diz: "Um texto fora do contexto é um pretexto para uma heresia". Nesse caso, especificamente, não ousarei fazer uma exegese das palavras de Jesus. Me limitarei a traçar um panorama do momento mais importante da história da humanidade...

Para tanto, vou me utilizar de uma breve descrição que John Piper faz para descrever o Filho de Deus.



Agora imagine esse ser supremo que, "subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz". (Filipenses 2: 6-8)

Jesus teve de tomar do vinho da cólera de Deus, do cálice de sua ira suprema. Deus pune ao seu próprio Santo Filho pela transgressão de terceiros, que deveriam justamente sofrer sua pena.

4) O pecado imperdoável

Depois de tudo isso, tendo Jesus ressuscitado ao terceiro dia e tomado em suas mãos as chaves da morte e do inferno, é nossa obrigação como remidos do pecado reconhecer que Jesus é o nosso Salvador.

Uma vez ouvi um renomado pastor americano afirmar com ousadia: "Ninguém será condenado pelos seus próprios pecados. Esses foram levados por Jesus na cruz do calvário. Pessoas serão condenadas por não reconhecer que alguém já pagou sua dívida".

Assim, esse é o tão discutido pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo. No início do texto lemos:
"Os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo:
- Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!"

O trecho "se és Filho de Deus" expressa com clareza que aquelas pessoas negavam que "o Verbo era Deus". Não reconheciam as palavras de Deus, que dizia: "Este é o meu filho amado, em que me comprazo" logo após o Espírito descer sobre Jesus em forma de pomba.

Portanto, irmãos, basta acreditarmos que Jesus é o Messias, o Ungido de Deus, e que ele nos salvou, pagando o preço pelos nossos pecados na cruz. Esse reconhecimento é suficiente para que sejamos salvos. O pagamento pelos nossos pecados já foi feito.

Segue então o complemento de Romanos 6: 23:

"Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna;
porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor".

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Melville, Jonas e o Evangelho

Vou começar com alguns fatos que aconteceram comigo nesses últimos tempos:

1. No mês passado comecei a velejar com um tio meu na Baia de Guanabara. Só quem pratica a vela sabe a sensação de cavalgar o vento que essa atividade proporciona. Em uma bela tarde de sábado pegamos o barco, montamos o mastro, içamos as vela e fomos para a água. Estávamos indo bem até que, por uma "mudança nos ventos", os dois velejadores inexperientes foram para a água, junto com todo o material de dentro do barco.

2. Na semana passada senti no coração de ligar pra casa de uma grande amiga minha dos tempos de oitava série e fazer uma surpresa. Não nos víamos a 9 anos. Agora ela está trabalhando na Marinha Mercante. Conversamos sobre nossas tão diferentes experiências com o mar.

3. Envolvido assim com os assuntos náuticos e com os tempos nostálgico de Colégio Militar, lembrei de um livro que tinha lido e gostado muito quando estava na escola. Decidi passar em uma livraria e comprar uma edição mais completa de Moby Dick, de Herman Melville.

Passemos agora àquilo que realmente quero dizer hoje.

O capítulo IX do livro de Herman Melville se chama "O Sermão". Ele trata exatamente das palavras que o padre Mapple trouxe aos fieis da cidade de New Bedford no domingo que antecedia a partida para o oceano. Alguns pontos da mensagem me chamaram atenção e o conjunto dela me pareceu um dos melhores sermões sobre Jonas que já li.
Em um certo momento do sermão o padre Mapple levanta a discussão sobre a localização da cidade de Társis, para onde Jonas fugiu, tentando se esconder da presença de Deus (Jonas 1: 3). A discussão acerca da localização de Társis realmente tem ocupado diversos estudiosos e ultrapassa a barreira da ficção. Embora não se tenha chegado a uma conclusão definitiva, podemos considerar a hipótese de que a cidade chamada "Tarshish", no grego da Septuaginta, e citada no livro de Jonas e 1 Reis, seja a atual cidade de Cádis, que se localiza a oeste do estreito de Gibraltar e que foi o lar dos Tarcetos, considerados pelos gregos a primeira civilização do Ocidente. Assim, a jornada de Jonas constituia-se em nada mais nada menos do que atravessar todo o mundo conhecido, saindo de Jope, na Síria e chegando a Társis, na Espanha. O barco de Jonas deveria cruzar todo o Mar Mediterrâneo, de leste a oeste, do oriente para o ocidente. Agora, observe o trecho bíblico: "Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do SENHOR para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR". Assim Herman descreve o plano de Jonas: "Apesar de haver já desobedecido, Jonas escarnece ainda de Deus, tentando fugir-lhe. Pensa que um barco construído pelos homens o poderá conduzir a países onde Deus não reine, mas sim capitães deste mundo".
Esse foi um ponto que chamou minha atenção, mas ao longo do capítulo o padre Mapple, continou a me surpreender com suas conjecturas e com a forma teatralizada pela qual descreve o episódio de Jonas e o Grande Peixe. Uma análise bastante realista e profunda. O sermão termina com o seguinte trecho: "Esta, companheiros, esta é a outra lição; e ai do piloto do Deus vivo que procurar fugir dela. Ai daquele a quem os encantos deste mundo desvie do cumprimento do Evangelho! Ai daquele que procure derramar óleo sobre as águas quando Deus as agitar com tempestade! Ai daquele que procura antes se agradar do que se atemorizar! Ai daquele para quem a boa reputação signifique mais do que a bondade! Ai daquele que, no mundo, galanteia a desonra! Ai daquele que nega a verdade, procurando encontrar na falsidade salvação! Sim, ai daquele que, como afirma o grande apóstolo Paulo, enquanto prega aos outros é ele próprio um réprobo!"

Isso me fez pensar em uma série de outras coisas. Chego agora ao ponto central do meu próprio texto:

Na última quarta-feira participei do primeiro dia de uma série de encontros na igreja nos quais discutiremos o tema "Milagres de Jesus". Durante essa reunião conversávamos sobre como os milagres têm ocupado uma posição central no evangelho dos nossos dias, quando na verdade o que era primordial era o testemunho da presença do Messias, do Redentor, do Filho de Deus entre uma nação de incrédulos. De nada adiantaria a realização de milagres se Cristo não morresse e ressucitasse no terceiro dia, levando sobre si os nossos pecados.

Da mesma maneira, pensei que de nada adiantaria à Melville que ele escrevesse um sermão tão exato sobre o episódio de Jonas se ele mesmo não entregasse sua alma ao Deus de Jonas, se ele próprio se revelasse um "réprobo", visto que Herman era adepto do transcendentalismo, um grupo de novas idéias na literatura, religião, cultura e filosofia que prega a existência de um estado espiritual ideal que "transcende" do físico e o empírico somente perceptivo por meio de uma sábia consciência intuitiva (para saber mais sobre o transcendentalismo e as contradições que essa corrente apresenta com o cristianismo visite o site do verbete na wikipedia clicando aqui).

Tenho certeza que muitos de vós leitores conhecem o filme "Deixados para trás". Nesse filme aparece um pastor em uma situação parecida com a da Melville. Um homem que tinha o dom da palavra. Esinava as pessoas a andar no caminho certo, mas ele mesmo era incrédulo e no momento do arrebatamento da igreja foi um dos que foi deixado para trás.

Por fim, o ponto é que de nada nos adianta realizar maravilhas ou possuir os mais diversos e magníficos dons, ou ainda ser possuidor de inúmeras obras de caridade, se não tivermos aquilo que realmente é necessário, estaremos perdidos.

"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria."

(1 Coríntios 13: 1-3)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

2 meses

Já se passaram 2 meses desde a última postagem no Blog.

Tento justificar o longo tempo sem postagens com o final de semestre na faculdade e com o período de férias, durante o qual estive em São Paulo para o casamento de uma amiga. No entanto, posso dizer que nesse período algumas boas coisas aconteceram e impulsionaram um pouco minha caminhada como cristão. Pude me envolver mais nos projetos da igreja que frequento e estou muito feliz por isso.

Pretendo, nessa semana publicar algum novo artigo. Estou em dúvida se falo sobre Samuel ou Mateus...

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Nome de Deus

Nós cristãos, ou pelo menos a grande maioria de nós, já ouvimos falar da maneira como os judeus tratam o Nome de Deus. O respeito e as precauções tomadas quando se pronuncia ou se escreve o Seu Nome.

É muito comum, por exemplo, que em textos judaicos a palavra Deus apareça com uma vogal suprimida, como em D-us. Quando a palavra deve ser escrita, o rigor é ainda maior. Um dos muito procedimentos adotados é o de se inutilizar uma pena que tenha sido usada pra escrever o nome de Deus.

Minha curiosidade me fez buscar algumas explicações mais acuradas para tudo isso. Achei alguns comentários interessantes no site Judaism 101, que aliás é referência em assuntos judaicos.

Vamos começar com a pergunta: Qual o significado dos "nomes" para o povo judeu?
A resposta a essa pergunta é essencial para a compreensão da maneira como o nome (ou os nomes) de Deus é tratado no judaísmo.

"
No pensamento judaico, um nome não é apenas uma designação arbitrária, uma combinação aleatória de sons. O nome traduz a natureza e a essência da coisa nomeada. Ele representa a história e a reputação do ser nomeado. Muitas vezes nos referimos à reputação de uma pessoa como o seu "bom nome". Quando uma empresa é vendida, uma das coisas que podem ser vendidas é a "boa fama" da empresa, isto é, o direito de usar o nome da empresa, a dimensão simbólica da marca. O conceito hebraico de um nome é muito semelhante a essas idéias.
Um exemplo desse uso ocorre em Êxodo 3:13-22, quando Moisés pergunta a Deus qual é o Seu nome. Moisés não está perguntando "como devo chamá-lo", mas sim, pergunta "quem é Você, como Você é, o que Você fez". Isso fica evidente a partir da resposta de Deus. Deus responde que Ele é eterno, que Ele é o Deus dos seus antepassados, que viu a sua aflição e os redimiu da escravidão.
Assim, os judeus acreditam que, já que um nome representa a reputação da coisa nomeada, esse nome deveria ser tratado com o mesmo respeito que a reputação da coisa. Por esta razão, os nomes de Deus, em todas as suas formas, são tratados com enorme respeito e reverência no judaísmo. " (Judaism 101, por Tracey Rich. Traduzido e adaptado por mim).

Acredito que essa dimensão por si só já poderia explicar os procedimentos judaicos ante os nomes de Deus. Sigamos um pouco mais além na análise para descobrir porque os judeus não escrevem o nome de Deus com freqüência. Muitos poderiam pensar que essa prática vem do mandamento de Êxodo 20:7: Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão. Esse mandamento se refere à blasfêmia ou a um falso juramento em nome de Deus, um uso mentiroso do nome.

O site revela a origem da preocupação: "O Judaísmo não proíbe de escrever o nome de Deus, por si só, proíbe apenas que se apague um nome de Deus. No entanto, os judeus evitam escrever qualquer nome de Deus casualmente por causa do risco de que o nome escrito possa ser posteriormente apagado, obliterado ou destruído acidentalmente ou por alguém que não possui melhor conhecimento". Deuteronômio 12:1-5 justificaria essa proibição quanto a se apagar o nome de Deus.

Mas, afinal, qual é o nome de Deus?
Sempre tive uma noção um pouco equivocada. O nome que muitos pensam que é efetivamente o Nome de Deus, Jehovah, na verdade, é mais um artifício que os judeus usaram para evitar de escrever o Nome. O nome mais importante que foi usado para representar Deus, na verdade, foi YHVH (as letras hebraicas Yod-Hei-Vav-Hei). O que aconteceu foi que os antigos mestres das escrituras judaicas usavam as vogais hebraicas da palavra Adonai (meu Senhor) entre as consoantes do Nome: J-e-H-o-V-a-H. As traduções da Bíblia que passaram a ser utilizadas pelos cristãos se basearam em escritos judaicos que usavam esse artifício.

Outra prática comum era abreviar o nome. Assim, YHVH se tornou Yah (YH, como em Halleluyah, ou Aleluia, que significa "Louvores a Yah"), Yahu (como em Eliyahu, ou Elias, que significa "Deus é o meu Senhor") ou Yeho (YHV, como em Yehoshua, que significa Josué ou Jesus). Desafortunadamente, com a destruição do templo, a pronuncia de YHVH foi proibida e caiu em desuso. Apesar de alguns estudiosos terem tentado passar de geração em geração a pronuncia correta do nome, com o tempo ela foi perdida. Hoje, vários rabinos discutem quanto à pronuncia correta desse Nome.

Personagens - Clemente e Orígenes (baseado no livro de B. L. Shelley)

Já por volta do século II e III, a igreja cristã primitiva passava da categoria de uma seita judaica menor, para o status de uma importante "filosofia" no Império Romano. Nesse momento, procurou-se desenvolver uma base racional para a pregação cristã através da associação desta com a literatura pagã e a filosofia. Foi um período de incontáveis batalhas, pois muitos eram aqueles que lançavam mão da pregação cristã para fundamentar a filosofia pagã. Nesse período surgiram muitas falsas doutrinas.

Não entraremos em muitos detalhes (ao menos por hora), mas dentre essas falsas doutrinas, cabe destacar o gnosticismo, um evangelho segundo "linhas espirituais" associado à astrologia e às religiões pagãs da Grécia.
Obs. Nem tudo naquela época estava ligado ao racionalismo: O montanismo foi outra ramificação herética do cristianismo, mais ligada a uma super-espiritualidade. Montano profetizava na região da Asia Menor ao lado de outras duas profetizas em nome do "Espirito Santo". Suas preleções passaram a atrair multidões, que ficavam apreensivas ao ouvirem ao profeta, que falava em um estado de êxtase.
É assustadora a quantidade de seitas exotéricas que derivaram do gnosticismo, do montanismo e outros "ismos" dessa época...

Mas vamos com calma, que nem tudo relacionado à filosofia era heresia. Dada a notável posição que o cristianismo assumia no Império, era necessário o desenvolvimento de uma forma pela qual o evangelho chagasse aos grandes intelectuais do mundo, e assim, aos grandes senhores. (Nesse processo algumas batalhas foram "perdidas". Tertuliano, por exemplo, apesar de ter alertado para os perigos da associação entre cristianismo e filosofia destacando que essa seria a causa e origem das heresias foi atraído para o caminho do montanismo, após se indispor com a igreja). A chamada Escola Catequética de Alexandria foi uma das mais notáveis referências da conciliação da filosofia com a cristianismo, visando unicamente a manutenção e expansão da fé cristã. Clemente e Orígenes foram seus diretores.

Clemente é considerado o "primeiro estudioso cristão". Combateu o gnóstico Valentino, estabelecendo um programa para a escola catequética voltada a esse objetivo. Foi um dos grandes colaboradores para o desenvolvimento da hermenêutica e sua introdução na interpretação dos textos sagrados.

Orígenes, sucessor de Clemente, foi considerado um teólogo neoplatônico e patrístico. Influenciado por Platão, Orígenes desenvolveu pensamentos acerca da Santíssima Trindade e sobre o fato de nos tornarmos filhos de Deus por adoção enquanto Jesus é Filho por geração, por natureza. Orígenes, no entanto acreditava que o Filho estava subordinado ao Pai, apesar de terem a mesma essência. Orígenes fala também de uma virgindade perpétua de Maria. Supostamente, esse ponto era quase unânime na antiguidade. Finalmente, entre outras muitas doutrinas, Orígenes afirma que a prática do batismo de recém nascidos também teria origem nos ensinamentos dos apóstolos.

Fica evidente que nem tudo o que era postulado por esses dois grandes pensadores representa a pura verdade bíblica. No entanto, é inegável a contribuição desses homens para o desenvolvimento da teologia nos círculos intelectuais, nos séculos seguintes.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Co-herdeiros de Deus

Estava lendo um livro sobre a história das relações sociais e culturais de judeus e árabes para minha monografia de conclusão de curso e encontrei um fato interessante sobre o tratamento de servos e escravos entre os Hebreus. Acho que isso ajuda muito a compreendermos nossa posição na "Família de Deus", em relação a Deus pai e a Cristo Jesus, o primogênito/ unigênito do pai.

O texto de Goitein diz o seguinte:

"A escravidão, no antigo Oriente é um assunto muito complicado. Mas, quando nós restringimos a análise à condição dos escravos em Israel e na Arábia, uma instituição relativamente coerente e unívoca emerge. Lá, os escravos não eram membros miseráveis, nem os animais suados das plantações norte-americanas, ou do latifúndio romano, ou das olarias de Atenas; eram da família, e, por vezes, com maior status de independência do que os filhos ou irmãos mais novos.
Eliezer, o servo de Abraão, é um bom exemplo desse estatuto. Ele foi denominado "o filho da casa" e era esperado para herdar a propriedade de seu mestre, na ausência de um herdeiro natural (Gênesis 15:3). Depois de um filho nascer, ele cuidava do menino como um irmão mais velho faria ( 24:3 ss.). Relações semelhantes são relatadas em fontes antigas árabes (...).
Note que os profetas de Israel, por muitas vezes se queixavam sobre o tratamento dos pobres, das viúvas, dos órfãos, ou dos estrangeiros, mas não há uma única referência a maus-tratos de escravos em seus escritos. Pelo contrário, em uma famosa passagem de Jó (31:13-15), o escravo é reconhecido como tendo os mesmos direitos humanos do seu mestre. O apego a família, dos escravos judeus, é melhor expresso na declaração proveniente da Itália durante o século décimo dC no sentido de que um mestre poderia recitar o Kaddish, a oração pela alma de seu escravo, um privilégio restrito a parentes muito próximos.
Portanto, quando um árabe ou judeu orava: "Eu sou o teu servo, filho da tua serva" (Salmo 116:16), ele queria dizer, "Eu sou um membro mais íntimo do seu agregado familiar" - a noção de filiação ( que é bastante freqüente em hebraico, mas muito rara em fontes árabes) é evitada como implicando a procriação e relações sexuais. Quando Moisés recebeu o título honorário de "servo de Deus", este deve ser entendido no sentido descrito em Números (12:07), "Moisés, meu servo, que é fiel em toda a minha casa" - significando aquele que conhece todas as desejos de seu mestre e os cumpre fielmente.
Em suma: a instituição da escravidão, que Israel e os árabes tinham em comum com as civilizações vizinhas, assumiu entre estes dois povos um caráter específico que pode ser explicado pela estreita relação entre eles". (GOITEIN, p. 28).

Existe uma diferença fundamental, no entanto, na "estrutura familiar divina". Jesus é o primogênito do Pai, e estava desde o princípio. Devemos reconhecer esse status para que estejamos, como Moisés, cumprindo fielmente todos os desejos de nosso mestre. É dessa maneira apenas que poderemos nos chamar de "servos, filhos de tua serva", no sentido aplicado nos Salmos, ou seja, declarando que somos um membro íntimo do agregado familiar de Deus.

Espero que esse estudo traga conforto aos corações. É bom saber que Deus nos recebe em seu tabernáculo sob um status de filhos, livres e co-herdeiros do Reino, em seu Filho Jesus. Amém.

domingo, 9 de maio de 2010

Deus é Amor. E a Igreja?

Tenho visto nos últimos anos um aumento considerável no número de pregações que alertam para a necessidade de cada um tomar sua cruz e seguir a Cristo, compartilhando do seu sofrimento. Essa é uma palavra muito nobre, que pode ser encontrada em diversos trechos da Palavra de Deus. John Piper tem um sermão intitulado "You will suffer", cujo link segue abaixo:



Em um contexto no qual a igreja tem se deixado levar por tantos ventos de (falsa) doutrina, é importante esclarecer como deve ser a conduta da igreja aqui nessa terra.
No entanto, tenho notado uma exagerada e perigosa ênfase no sofrimento, e não no propósito do sofrimento. Acredito que o sofrimento pelo sofrimento não é virtude. Inúmeras seitas orientais, por exemplo, dão extrema importância ao flagelo, mas não serão salvas.

É importante ressaltar, não o sofrimento, mas o propósito deste. Repare nos destaques em itálico:
"E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai o filho; e os filhos se levantarão contra os pais, e os matarão. E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim será salvo". (Mateus 10: 21-22).
"E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." (Romanos 8: 17-18)
"Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele, Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim. (Filipenses 1: 29-30)
E assim por diante, em 2 Timóteo 1:8, Atos 5:41.

John Piper conclui: "Porque não há outra maneira que o mundo possa ver a suprema glória de Cristo hoje exceto que rompamos com a disneylândia que é a América e começamos a viver um estilo de vida de sacrifício missionário o qual mostrará ao mundo que o nosso tesouro está no céu."

Acredito que essa é uma explicação válida em um certo contexto, porém incompleta. Na minha opinião não é o sofrimento, exclusivamente, que revelará ao mundo a glória do Pai, mas sua associação com o amor praticado na congregação dos santos.

Como já foi citado no post anterior, no século II, Tertuliano declarou: "Vejam como esses Cristãos se amam!" Foi o amor e a caridade em meio à perseguição que chamou a atenção dos romanos.

A igreja dos primeiros séculos era conhecida em toda parte "pelo cuidado com os pobres, viúvas e órfãos; pelas visitas aos irmãos nas prisões ou aos condenados a viver nas minas; e pelos atos de compaixão durante a carestia, terremotos ou guerras." (SHELLEY, p. 40)

Essa preocupação da igreja em manter a unidade entre os irmãos e em difundir o amor acima das adversidades pode ser vista claramente em diversos escritos da igreja primitiva. O apócrifo do século I chamado Didaquê (ou Instruções dos Apóstolos) era tido como um manual litúrgico que circulava entre as congregações naquela época. Esse livro dá instruções para o tratamento que deveria ser dado aos pregadores, quanto ao abrigo nas suas casas, etc. Apesar de não ser um texto canônico, é uma leitura muito interessante para se ter um retrato de como era a rotina do corpo de cristo nos primeiros anos dessa era. (Existem links para o texto no google. Não me sinto a vontade para colocar aqui).

Para encerrar, tenho uma última questão a levantar. Percebo que às vezes alguns cristãos têm um zelo tão grande por uma determinada doutrina, que alguns acabam por colocar certos preceitos teológicos acima da comunhão e do amor. Muitas vezes corremos o risco de nos fecharmos em nossos conceitos e ignoramos o clamor que o mundo nos faz para conhecer a palavra. Nos tornamos tão críticos que acabamos afastando aquele que tenta se aproximar do evangelho, e magoamos os irmãos ao nosso redor. Permitam-me contar uma história real:

Um pastor estava conversando com um grupo de crentes interessados em tirar dúvidas sobre um certo ramo doutrinário. Após horas de conversa, uma mulher que se tinha ficado calada todo o tempo o chamou para uma conversa em particular. O pastor assim narra a história:

"Sentamo-nos novamente e ela começou um conto de luto. Ela era esposa de um pastor. Sua vida e ministério tinham sido felizes e enriquecedores, até o marido e dois amigos próximos que também eram os pastores passaram a se interessar por uma "verdade nova". Todos os três eram muito intelectuais. Como resultado da nova leitura[...], [foram]atraídos para o desafio de estudar os escritos de [certos autores de uma determinada doutrina]. Seu estudo, [...], acabou se tornando quase uma obsessão. Então, cada um deles começou a pregar a sua "nova luz" de seus púlpitos. Depois de terem sido avisados várias vezes para desistir de doutrinar suas congregações, eles foram removidos de seus pastorados pela sua denominação. O marido começou [a ter dúvidas]. As frequêntes indagações explodiram em dúvidas sobre sua salvação. [A tal doutrina], que outrora parecia tão satisfatóri[a] começou a persegui-lo com a incerteza de saber se ele foi [salvos].
"Você nunca foi atraído por ela? [Por essa doutrina]" Eu perguntei.
Ela balançou a cabeça. "Eu não sou intelectual - pode ser por isso que ela nunca me atraiu. Mas não era pra Deus ser um Deus de amor? [...] Lágrimas vieram aos olhos. Enfim, ela continuou: "Eu ficava tentando dizer ao meu marido que o Deus no qual agora ele ecreditava, um Deus que [...], não era o Deus que eu conhecia e amava. ... " (Tradução livre do livro "What love is this" de Dave Hunt, omitindo trechos que poderiam revelar a doutrina em questão).

domingo, 2 de maio de 2010

Série "Personagens"'- Policarpo de Esmirna

Policarpo nasceu na Ásia Menor, atual Turquia, em aproximadamente 70 d.C.. De família cristã, registra que costumava se sentar aos pés de João, apóstolo de Cristo, na sua juventude.

Foi naqueles anos que a Igreja experimentou seu maior crescimento. Além do mover divino, vale destacar alguns fatores humanos que impulsionaram a expansão da fé cristã. A saber, a convicção inabalável dos crentes, a necessidade dos pagãos de conhecer as boas novas, a expressão prática do amor cristão (cuidado com pobres viúvas e órfãos, etc), dentre muitas outras expressões de misericórdia e fé. Cabe aqui um adendo: Será que poderíamos dizer que a igreja de hoje é notada publicamente por esse perfil? O historiador do cristianismo Bruce Shelley cita o Imperador Tertuliano, que reconhecia: "Vejam como esses cristãos se amam!"

Nesse contexto de amor, a Policarpo foi conferida a autoridade sobre a cidade de Esmirna. Além ativo pregador do evangelho, Policarpo também escreveu cartas aos Filipenses, segundo a prática cristã da época.

Policarpo foi martirizado em nome do cristianismo (o termo mártir significava originalmente "testemunho"). Mesmo reconhecendo as virtudes dos cristãos, os romanos continuavam implacáveis nas suas perseguições.

Segue transcrição do texto de Shelley sobre a morte de Policarpo:

"- Simplesmente jure por César - disse o governador.
- Sou um cristão - disse Policarpo - se quiser saber o que isso significa, marque uma data e escute.
- Convença o povo - disse o governador.
Policarpo disse:
- Posso explicar para você, mas não para eles.
- Então vou atirá-lo às feras.
- Traga suas feras.
- Se você zombar das feras, será queimado.
- Você tenta me assustar com o fogo que arde por uma hora, mas se esquece do fogo do inferno, que nunca se acaba.
O governador gritou para o povo:
- Policarpo diz que é um cristão.
Então a turba se descontrolou:
- Este é o professor da Ásia - gritaram - o pai dos cristãos, o destruidor dos nossos deuses!
Então Policarpo, orando para que sua morte fosse um sacrifício aceitável, foi queimado."

Segue uma transcrição da oração de Policarpo:

"Senhor, Deus Onipotente, Pai de Jesus Cristo, teu filho predileto e abençoado, por cujo ministério te conhecemos; Deus dos anjos e dos poderes; Deus da criação universal e de toda família dos justos que vivem em tua presença; eu te louvo porque me julgaste digno deste dia e desta hora; digno de ser contado entre teus mártires, e de compartilhar do cálice de teu Cristo, para ressuscitar á vida eterna da alma e do corpo na incorruptibilidade do Espírito Santo. Possa eu hoje ser recebido na tua presença como uma oblação preciosa e aceitável, preparada e formada por ti. Tu és fiel às tuas promessas, Deus fiel e verdadeiro. Por esta graça e por todas as coisas eu te louvo, bendigo e glorifico, em nome de Jesus Cristo, eterno e sumo sacerdote, teu filho amado. Por Ele, que está contigo, e o Espiríto Santo, glória te seja agora e nos séculos vindouros. Sede bendito para sempre, ó Senhor; que o Vosso nome adorável seja glorificado por todos os séculos. Amém!"

domingo, 25 de abril de 2010

O Ano Aceitável do Senhor

Daniel 9: 20-27 nos revela a profecia das 70 semanas, que fala da primeira e da segunda vinda de Cristo. Uma das interpretações mais aceitas do trecho diz que as semanas serão de anos. As primeiras 69 (483 anos) têm início no ano 445 a.C., que foi o vigésimo ano do rei Artaxerxes, quando historicamente saiu a ordem para a restauração de Jerusalém, e terminaram quando Jesus (o Ungido) entrou em Jerusalém montado em um jumentinho, conforme a profecia de Zacarias 9: 9. A última semana de anos estaria separada das 69 primeiras pelo chamado "tempo dos gentios", que é o tempo que estamos vivendo agora até a segunda vinda de Cristo.

O que quero discutir aqui é o ano seguinte à setuagésima semana. Antes de tudo gostaria de lembrar que não sou teólogo de formação. Apenas quero expor alguns comentários sobre a minha interpretação.

A última semana é o reinado do Anti-cristo. Três anos e meio de falsa paz, seguido de três anos e meio de assolação e terminando com a vinda de Cristo em um cavalo branco, o Verbo de Deus (Apocalipse 19: 11). O reinado de Cristo na terra cumprirá muitas profecias do Antigo Testamento e terá duração de mil anos, daí ser chamado de O Milênio (Ap 20: 2).

Muitos são os crentes que conhecem essas profecias mas não sabem qual a base da sua interpretação.

A primeira pregunta que me fiz foi: de onde tiraram a interpretação de que as semanas de Daniel são compostas de anos, não de dias?
A resposta está em Levítico 25 (recomendo fortemente que leia o trecho completo. Vai lá, é só clicar), quando a lei de Moisés estabelece o "Ano de Descanso" e o "Ano do Jubileu". O ano sabático: assim como o sábado era o dia do descanso, o sétimo ano da semana de anos também deveria ser tomado para descanso. O Jubileu: seriam contadas sete semanas de anos (49 anos). O quinquagésimo ano seria o ano do Jubileu, ano santo do Senhor.

Encontro aqui o ponto central que gostaria de discorrer nessa postagem do blog. Posso estar errado, e se alguém souber mais pro favor me corrija.

O ano do Jubileu segue a setuagésima semana de Daniel. Esse é o ano santo no qual Jesus estabelece seu reinado, acabendo com qualquer vestígio da semana do Anti-cristo. O ano do jubileu encontra relação com a profecia de Isaías do "ano aceitável do Senhor": "O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes" (Isaías 61: 1 e 2). Essas palavras são as palavras do Unigido, Cristo, o filho de Deus que tira o pecado do mundo. Sua palavra é imutável e pode ser aplicada à sua primeira vinda e à sua vinda para instaurar o reinado de mil anos na terra. Após o reino de assolação do Anti-cristo, Jesus virá, com o espírito de Deus sobre si, restaurando os contritos, libertando os cativos e dando início ao ano aceitável do Senhor, quando os que choram são consolados.

Esse estudo, que passa por Daniel, Apocalipse, volta a Levítico, vai Isaías e volta para Apocalipse, colabora para provar a unidade bíblica. Mostra também que Jesus é o verdadeiro e único Messias para sempre, que sua revelação dada a João e aos profetas eram verdadeiras e coerentes.

Gostaria de terminar o estudo voltando, de Apocalipse a Daniel. Apocalipse 20 deixa claro que Cristo compartilha seu reinado com todos os santos (v. 4). Isso está em concordância com Daniel (12: 2), livro que deu início ao nosso estudo.

Oremos pela vinda desses dias, nos quais estaremos com Cristo em seu reino santo.

Que comeremos? Com que nos vestiremos?

Segurança. Esse é um dos temas fundamentais em nossa sociedade. Não me refiro à segurança contra a violência, mas ao sentido usualmente dado ao termo "Security" pelos povos de língua inglesa. O significado desse termo compreende diversas áreas da nossa vida. Podemos dizer que estamos em segurança quando temos um lar para acolher nossa família, que está bem estruturada e envolta de todo conforto; temos uma ocupação que nos dá segurança financeira; nossos filhos estão recebendo uma educação que lhes assegurará um futuro digno; etc.

Essa não deve ser a preocupação do cristão. Percebi isso enquanto conversava com alguns amigos acerca da importância da cruz de Cristo no evangelho. Em Mateus 6: 25 Jesus nos alerta: "Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?".

No capítulo 6 de Mateus, Jesus oferece um "manual de instruções" para como proceder em nossa jornada. Ele nos fala de como dar esmolas, como orar, como jejuar e como servir a Deus, nosso único Senhor.

Quais tem sido as prioridades na sua vida?

Buscar instrução secular tem por objetivo imediato se qualificar pro mercado de trabalho. Isso é se preocupar com o "que comeremos" ou "que vestiremos" amanhã.
Se esforçar no trabalho com o objetivo de ter estabilidade e melhorar a renda é também outra forma de prezar pela segurança.

Pois então, se não estudarmos ou trabalharmos como viveremos?

Deus sabe das nossas necessidades, mas Ele quer que tenhamos como propósito em tudo que fizermos glorificar o Seu nome e pregar o seu plano para todos os homens.

Jesus mostra como Deus supre as necessidades daqueles que o servem: "Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?". As aves do céu, os lírios do campo, assim como toda criatura exprimem a grandeza do Criador, conforme nos disse Paulo em Romanos 1: 20: "Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis". Ou seja, a natureza faz sua parte em proclamar a Deus, e Deus mantém suas criaturas.

Quando pararmos de fazer as coisas em prol de nós mesmos Deus cuidará de nós e suprirá nossas necessidades. Você não precisa largar suas atividades para fazer a obra. Mas você precisa deixar tudo que é seu pra trás e seguir a Jesus. Isso significa que nada que você tem ou faz é para si, mas para a obra.

Se você estuda, faça isso para embasar a sua fé com o conhecimento.
Se faz um cursinho de línguas, faça isso pra aperfeiçoar seu conhecimento na palavra com os textos escritos nessa língua. Sempre que tiver a oportunidade use o que aprendeu para transmitir a palavra de Deus.
Se você trabalha, use o ambiente do trabalho para mostra o quanto você ama a Deus, através do seu testemunho. Seja correto em tudo que faz. Não seja corrupto. Não pense em tirar vantagem. Você não precisa parecer o melhor para o mundo, seja o melhor pra Deus.
Se você tem uma família, que ela seja exemplo dessa benção que Deus deu ao homem. Que o amor de Deus possa ser visto na sua família e que sua convivência sirva de testemunho.

Quando buscamos a Deus antes de tudo, e a sua justiça, todas essas coisas nos são acrescentadas. Não como prêmio por merecimento, mas como sustento para que possamos usar tudo que Deus nos dá para continuar a fazer a obra. Que nós possamos usar as ferramentas e dons que Deus nos tem concedido para o seu louvor.

Então, "buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6: 33).

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Série "Personagens" (Apresentação)

O cristão deve conhecer a História da Igreja e como a sua fé foi desenvolvida ao logo dos séculos.

Nessa série, pretendo apresentar alguns dos personagens que marcaram a história da igreja nos primeiros anos, tanto positiva quanto negativamente. Observe que nem todos os personagens tratados eram cristãos verdadeiros. O objetivo é mostrar como a Igreja de Cristo passou, nos primeiros anos, por dificuldades muito parecidas com as que enfrentamos na Igreja hoje.

Espero que seja edificante. Em breve: o primeiro personagem... (ainda tô pensando quem vai ser, hehehe)

PS: Essa série não tem a pretensão de ser um relato histórico. Por tal motivo, não me preocupei em expressar todas as fontes de maneira científica. Alguns relatos podem estar baseados na tradição corrente, não posso garantir a veracidade histórica estricto sensu.

Quando desenham o nosso Deus...

No sábado passado escutei uma ilustração muito interessante.

Uma das atividades mais conhecidas e desenvolvidas na Psicologia da Educação é aquela na qual, em uma folha de papel, desenhamos a nós mesmos. Em seguida, trocamos de folha com a pessoa ao lado e desenhamos essa pessoa no no verso do papel. Depois destrocamos as folhas e contemplamos os resultados.

Essa atividade é bastante útil para colocar a imagem que temos de nós mesmos em contraste com aquilo que transmitimos e é percebido pelas pessoas ao nosso redor. Não é preciso dizer aqui quantas são as surpresas que temos quando fazemos essa atividade.

Imagine agora se, da mesma forma, pedíssemos que as pessoas ao nosso redor desenhassem o Deus que nós servimos. Ou seja, que elas desenhassem a imagem que transmitimos do nosso Deus através do nosso testemunho diário. Tenho certeza que seria muito diferente da imagem que nós mesmo temos de Deus, em nosso interior. Pense agora por alguns minutos como seria desenhado o seu Deus. Será que esse desenho não teria muitos traços de séries de TV, futebol, da sua namorada? Ou, até mesmo, de símbolos ligados à religiosidade, que bem sabemos, não podem salvar...

Temos que nos preocupar, não apenas em "estudar Deus", para conhecê-lo em nosso interior. Quando realmente o conhecemos passamos a "viver Deus". Paulo nos orienta em 1 Coríntios 11:1 ¶ "Sede meus imitadores, como também eu de Cristo".

Da mesma forma que "Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino" (1 Coríntios 13:11), quando renunciamos as coisas do mundo e passamos a viver como cristãos nosso testemunho deve renunciar as atitudes do mundo.

Muitas vezes temos uma imagem convicta de Deus em nosso interior, mas acabamos transmitindo uma imagem destorcida pelo nosso testemunho. Aquilo que colocamos como prioritário em nossas vidas estará diretamente associado com o nosso Deus. Portanto, cuidado com seu testemunho! Não queira que desenhem seu Deus como um Deus palhaço! Isso os falsos mestres já fazem aos montes por aí.